sexta-feira, 9 de março de 2007

SEXTA FEIRA

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MEU JARDIM

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Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho


Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim

quarta-feira, 7 de março de 2007

A MULHER SELVAGEM

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Sua beleza é arisca, arredia aos modismos. Ela encanta por um não-sei-quê indefinível... mas que também agride o olhar. É um tipo raro e não tem habitat definido: vive em Catmandu, mora no prédio ao lado ou se mudou ontem para Barroquinha. E não deixou o endereço. É ela, a mulher selvagem.

Em quase tudo ela é uma mulher comum: pega metrô lotado, aproveita as promoções, bota o lixo para fora e tem dia que desiste de sair porque se acha um trapo. Porém em tudo que faz exala um frescor de liberdade. E também dá arrepios: você tem a impressão que viu uma loba na espreita. Você se assusta, olha de novo... e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim. É a mulher selvagem.

A sociedade tenta mas não pode domesticá-la, ela se esquiva das regras. Quando você pensa que capturou, escapole feito água entre os dedos. Quando pensa que finalmente a conhece, ela surpreende outra vez. Tem a alma livre e só se submete quando quer. Por isso escolhe seus parceiros entre os que cultuam a liberdade. E como os reconhece? Como toda loba, pelo cheiro, por isso é bom não abusar de perfumes. Seu movimento tem graça, o olhar destila uma sensualidade natural - mas, cuidado, não vá passando a mão. Ela é um bicho, não esqueça. Gosta de afago mas também arranha.

Repare que há sempre uma mecha teimosa de cabelo: é o espírito selvagem que sopra em sua alma a refrescante sensação de estar unida à Terra. É daí que vem sua beleza e força. E sua sabedoria instintiva. Sim, ela é sábia pois está em harmonia com os ritmos da Natureza. Por isso conhece a si mesma, sabe dos seus ciclos de crescimento e não sabota a própria felicidade. Como todo bicho ela respeita seu corpo mas nem sempre resiste às guloseimas. Riponga do mato, gabriela brejeira? Não necessariamente, a maioria vive na cidade. E há dias paquera aquele pretinho básico da vitrine. E adora dançar em noite de lua. Ah, então é uma bruxa... Talvez, ela não liga para rótulos. Sabe que a imensidão do ser não cabe nas definições.

Mulheres gostam de fazer mistério. Ela não, ela é o mistério. Por uma razão simples: a mulher selvagem sabe que a vida é uma coisa assombrosa e perfeita, e viver o mais sagrado dos rituais. Ela sente as estações e se movimenta de acordo com os ventos, rindo da chuva e chorando com os rios que morrem. Coleciona pedrinhas, fala com plantas e de uma hora para outra quer ficar só, não insista. Não, ela não é uma esotérica deslumbrada mas vive se deslumbrando: com as heroínas dos filmes, aquela livraria nova, o CD do fulano... Ela se apaixona, sonha acordada e tem insônia por amor. As injustiças do mundo a angustiam mas ela respira fundo e renova sua fé na humanidade. Luta todos os dias por seus sonhos, adormece em meio a perguntas sem respostas e desperta com o sussurro das manhãs em seu ouvido, mais um dia perfeito para celebrar o imenso mistério de estar vivo.

Ela equilibra em si cultura e natureza, movendo-se bela e poética entre os dois extremos da humana condição. Ela é rara, sim, mas não é uma aberração, um desvio evolutivo. Pelo contrário: ela é a mais arquetípica e genuína expressão da feminilidade, a eterna celebração do sagrado feminino. Ela está aí nas ruas, todos os dias. A mulher selvagem ainda sobrevive em todas as mulheres mas a maioria tem medo e a mantém enjaulada. Ela é o que todas as mulheres são, sempre foram, mas a grande maioria esqueceu.

Felizmente algumas lembraram. Foram incompreendidas, sim, mas lamberam suas feridas e encontraram o caminho de volta à sua própria natureza. Esta crônica é uma homenagem a ela, a mulher selvagem, o tipo que fascina os homens que não têm medo do feminino. Eles ficam um pouco nervosos, é verdade, quando de repente se vêem frente a frente com um espécime desses. Por isso é que às vezes sobem correndo na primeira árvore. Mas é normal. Depois eles descem, se aproximam desconfiados, trocam os cheiros e aí... Bem, aí a Natureza sabe o que faz.
Ricardo Kelmer é escritor, letrista e roteirista e mora em São Paulo, Terra, 3a. pedra do Sol

PARABÉNS A TODAS AS MULHERES

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Felicitações a todas as mulheres, independente de raça, credo ou cor.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta



Maria, Maria
E o som, é a cor, é o suor
E a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas agüenta



Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem tem no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria



Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida

Milton Nascimento

DESPEDIDA

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Repara, algo estranho há no ambiente,
um certo quê de melancolia.
Coisa assim, como se de repente,
fugisse de nós toda a alegria.
Entretanto, nada mudou:
naquele canto o vaso de flores
continua o mesmo
e... estás aqui com o mesmo encanto.
Mas, por que há no ar saudade tua...??
Se a vida resume-se no presente,
que importa, amanhã tua partida?
Vivamos este dia eternamente
E deixemos que a dor n'alma sentida,
lágrimas nos faça verter, somente
no momento cruel da despedida!!!

Autor: Danilo Mantovani

terça-feira, 6 de março de 2007

OUTRAS TANTAS FRASES...


"Um amigo é uma pessoa com a qual se pode pensar em voz alta."
Ralph Waldo Emerson


“Os dias prósperos não vêm por acaso; nascem de muita fadiga e persistência”
Henry Ford

“Nenhuma mente que se abre para uma nova idéia voltará a ter o tamanho original”
Albert Einstein

"Amor não se conjuga no passado; ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente."

“Não existe o esquecimento total: as pegadas impressas na alma são indestrutíveis”
Ralph Waldo Emerson

“A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita”
Mahatma Gandhi

“Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha”
Confúcio


“Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades”
Epícuro

“A fé, mesmo quando é profunda, nunca é completa”
Jean-Paul Sartre

“Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”
Madre Teresa de Calcutá

“Ninguém é bom por acaso; a virtude deve ser bem aprendida”
Chico Xavier

“Experiência é o nome que nós damos aos nossos próprios erros”
Oscar Wilde

“Adoro as coisas simples. Elas são o último refúgio de um espírito complexo”
Oscar Wilde


“A vida sem reflexão não merece ser vivida”
Sócrates

“Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”
Shakespeare

“Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir”
Sêneca

“A esperança é o alimento de nossa alma, ao qual sempre se mistura o veneno do medo”
Voltaire

“Se a gente quiser modificar alguma coisa, é pelas crianças que devemos começar”
Ayrton Senna

“Quem só deseja demonstrar que está certo, termina por agir errado”
Paulo Coelho

“A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos”
John Lennon




domingo, 4 de março de 2007

MULHER DE OITENTA


Vinícius de Moraes, agora com 90 anos, poderia cantarolar “olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é uma velhinha que vem e que passa, no doce balanço, a caminho do lar”. Se ainda existe uma mulher do lar, ela tem oitenta anos. Principalmente no nosso lar. Me responda: existe alguma coisa mais bonita do que ver uma senhora de oitenta anos, aqueles cabelos brancos (mulher honesta de oitenta não pinta mais os cabelos), caminhando pela rua de mãos dadas com o marido, bem mais trôpego do que ela? Quantas vidas existem naquelas duas mãos entrelaçadas? Quantos filhos, netos e bisnetos? Quanta vida, quanta história. Quanta gente aquela mulher de oitenta colocou no mundo? E agora lá vai ela, caminhando, sem pressa nenhuma, sabe lá pra onde. Ela e o homem dela. Eternos enquanto duraram.

É, já não se fazem mais mulheres como as de 80. Perdemos a fórmula e esquecemos, quase sempre, que elas existem. Mulher de um só amor, de uma só dedicação. As mulheres de oitenta se dividem basicamente em três categorias: as ainda casadas (como sofreram com seus maridos há algumas décadas), as viúvas (como sofreram com o morte do marido) e as com o mal de Alzhaimer (que não sofrem, porque não sabem mais).

O incrível é que a gente olha para uma velhinha e pensa que ela não saca mais nada. Que está apenas sentada ali na porta esperando o próprio enterro passar. Lêdo e lerdo engano. Aquela que faz aniversário, com filhos, netos e bisnetos em volta. Olha ela lá, na dela, sentada na cadeira, olhando o nada. Engana-se, minha filha. Ela está percebendo tudo. Ela sabe o que está rolando na festinha da bisa. Sabe quem trai quem, quem deve pra quem, quem odeia quem, dentro de seus próprios descendentes. Mas ninguém da bola pra ela.

A mulher de oitenta é a mais sábia das mulheres. Ela já teve trinta, achando que sabia de tudo. Chegou as quarenta pensando: agora é que eu sei. E aí foi indo até chegar ali. Cada vez conhecendo mais o mundo e as pessoas do mundo. Quando vê o Bush dizendo besteira na televisão, ninguém lhe pergunta o que achou. Têm certeza que ela vai dizer bobagem. Mas se ousarem vão ouvir uma frase curta, perfeita, exata. Quase filosófica. As mulheres de oitenta filosofam. Infelizmente ninguém as ouvem.

Quanto àquelas que têm o mal de Alzhaimer (antigamente eram apenas caducas. Pioraram o nome e não arrumaram o remédio) não sabem o que está acontecendo no mundo. Sua mente não guarda nada do presente (o que tem lá suas vantagens), mas se lembram do passado como se fosse ontem. Pergunte sobre o baile de debutantes, como foi que ela conheceu o marido dela, daquela famosa quadrilha, das fofocas familiares dos anos 30. Um diário do passado vai invadir a sua cabeça e seus olhos vão ficar brilhando.

Ah, as mulheres de oitenta com seus cabelos brancos, seus óculos redondos, seu terço e sua caixinha de remédios. Sábias, filósofas, boas. Gente finíssima.
Autor : Mário Prata
 
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