Voce é do tipo que diz: “meu ginecologista, meu endócrino, meu cardio (é, porque parece tão nosso que podemos abreviar carinhosamente o termo), e por aí, vai. Quanto mais doença, mais médicos a gente tem.
Por que estou escrevendo isso?!
Vou contar já já…. Rs
Seria cômico se não parecesse trágico nos fatídicos dias em que pensei que fosse me esvair em sangue.
Então… você só descobre que o médico não é SEU, quando ele lhe dá as costas. Quando nem ao menos se digna a te atender quando está fora da cidade.
O, até então, MEU ginecologista, dias antes de ir a um congresso - note-se que não eram férias – me atendeu, me medicou e me passou um remédio que me traria sérias consequências. Disse no final da consulta, que se não me fizesse bem o remédio receitado, que o procurasse. ACREDITEI, pois achava mesmo que ele era o MEU médico.
Ele me avisou de um possível sangramento, na bula confirmei o que ele disse e continuei com o medicamento.
Acontece, que de um sangramento normal passou para um mais sério e depois para um terrivelmente sério. Já não podia mais continuar com minha vida normal, sem vazar pra todo lado.
O que fazer nessas horas?! Ligar para o MEU médico.
“_ Alô! Preciso falar com o Dr. Luiz Sampaio…
_Ele viajou, está fora da cidade, em um congresso. Só semana que vem.
_ Ok. Obrigada!
Tentei esperar, mas foi ficando cada vez pior. Aí, pensei, que se ligasse e dissesse que era sério, quem sabe ele me atenderia, afinal, ERA o MEU médico. Aquela coisa de criança de achar que médico tem um pouco de Deus e que cura tudo o tempo todo e que estudou pra isso e porque tem o dom… Hahaha. O Dom…
Liguei de novo:
“_ Boa tarde, eu liguei estes dias, mas meu problema está se agravando, preciso muito falar com o Dr. Luiz Sampaio Neto.
_Ele está em um congresso, bem. (esse bem eu ainda tento entender, talvez bem de bem ingênua)
_É que ele me receitou um remédio e preciso saber como proceder, já parei com o medicamento, mas não adiantou. Poderia me passar o cel. dele ou então você poderia ligar e explicar o problema, quem sabe ele me diz o que fazer…
_Que remédio ele passou pra senhora? (como se ela, secretária, possuisse algum conhecimento médico mais profundo do que saber pra que serve uma aspirina. Ainda assim, disse o nome e ela, calmamente, disse que esse remédio costuma mesmo causar transtornos sérios)
_Não tem como você entrar em contato com ele?
(Aí veio a resposta que me fez ficar passada!!!!!)
_ Sinto muito, Sra. mas ontem mesmo, uma outra paciente, GESTANTE, pediu pra tentar localizá-lo pois estava precisando urgentemente falar com ele. Tentei e não consegui. Ele também não retornou a ligação, por isso, só mesmo semana que vem.
Como assim?! Aí, me lembrei de quando fiquei grávida, com 18 anos e tinha medo de tudo. E quase perdi meu bebê aos cinco meses de gravidez e fiquei imaginando se esse fosse o MEU médico. Talvez tivesse perdido meu bebê, assim como poderia nada teria acontecido. Mas e o meu desespero? Meu medo de perder meu filhinho? Minha angústia de ser mãe de primeira viagem? Graças a Deus, eu tinha um médico pra chamar de MEU. Carinhoso, compreensivo, humilde, caridoso e humano.
O que aconteceu com esse tipo de médico???
Me recordo que ele contava que era muito pobre quando resolveu fazer medicina. Que fez das tripas coração, que passou fome, mas que conseguiu e amava o que fazia.
A história deste outro médico, que tentei chamar de meu é muito diferente da dele, mas muito igual a de muitos burguesinhos que compram uma vaga na faculdade. Se fez em cima do nome do pai, que pelo que dizem, teria sido igual ao MEU médico.
Lamento por este mau médico e pela paciente gestante dele, que parecia precisar dele mais que eu.
Qual foi a solução?!
Peguei o telefone, liguei pra um médico amigo, há 350 Km daqui de Sorocaba. Ele não estava, mas assim que recebeu o recado, me ligou e me ajudou muito, pois, pra ajudar, era final de semana. Resolveu o problema (não foi fácil, nem rápido, mas resolveu por telefone e sem cobrar consulta, pois é um desses que a gente pode chamar de MEU).
Ainda disse que, precisando era só ligar.
Quanto ao Dr. Luiz Ferraz de Sampaio Neto, quero distância. Talvez ele já tenha fama suficiente pra se achar no direito de não ser encontrado quando bem entender.
Triste… Lamentável!
Mas não posso generalizar.
Sei e conheço outros bons médicos que posso chamar de MEU.
Só pra terminar, e mostrar que não é questão de azedume ou falta de boa vontade da minha parte para com os médicos daqui de Sorocaba (tirando os trambiqueiros do golpe dos plantões, exaustivamente noticiados em rede nacional), tenho outro que posso chamar de MEU e que nunca negou ajuda, mesmo de última hora, como no caso do meu pai que estava aqui só a passeio e quando precisou, o Dr. João Batista Bassi, encontrou um horário em menos de uma hora para atendê-lo em seu consultório, em uma emergência.
Meu muito obrigado aos João Baptista Bassi, aos Paulo Roberto Mansur David, aos Asdrubal de Oliveira Junior que honram e zelam pela profissão como verdadeiros médicos. Aos Luiz Ferraz de Sampaio Neto, minha indignação e pesares pela falta de humanidade.
É isso. Quanto aos médicos que arrumam horário rápido se você pagar em dinheiro e te deixam ao léu se você tiver um plano de saúde (por melhor que seja), pra esses reservarei outra postagem.
Beijinhos a todos os ingênuos de plantão e aqueles que acham que têm um médico pra chamar de SEU.

