sábado, 24 de janeiro de 2009

NÃO IMPORTA A RELIGIÃO QUE TEMOS

Relendo seu comentário, posso saber o que você sente quando diz amar ao espiritismo e à religião católica, pois venho de uma família totalmente católica apostólica romana. Assim como você também fui discriminada entre alguns amigos e entre pessoas da minha família. Amo meus pais e sei que eles me amam, mas também sei que eles se sentem profundamente infelizes por terem uma filha que acredita nesta religião, que para muitos, é “coisa do diabo”.

Comecei a frequentar um centro quando ainda tinha 14 (foi minha primeira vez) e foi lá que encontrei respostas a muitas perguntas que ninguém ousava responder, dizendo que a bíblia não era para ser questionada.

Sempre vi seres que não estavam entre nós e isso chegou ao ponto da minha mãe me levar a um psiquiatra na cidade de São Paulo, por achar que eu era maluca. A partir daí, preferi não comentar mais sobre estas experiências com os mortos.

Depois de já adulta, assumi que era espírita sem me preocupar muito com o que minha família ia dizer ou meus amigos e pensei que, se me amavam de verdade, me aceitariam como sou, sem imposições. Foi difícil e ainda é ouvir coisas sobre o espiritismo, quando quem fala, nunca ao menos se preocupou em saber do que se trata.

Frequentando um centro, fui colocada na mesa de trabalhos onde disseram que eu tinha mediunidade. Disso eu sabia, pois via e ouvia e conversava com os espíritos e isto nunca me incomodou. Meu marido também é espírita, o que ajuda muito e me deixa mais tranqüila. Um dia ele me disse que deveríamos fazer alguma coisa para divulgar o que acreditamos. Fizemos um blog, com a intenção era ajudar as pessoas dando-lhes conforto, amenizando-lhes as dores de uma perda e nada mais.

Eu nunca quis ser polêmica, só queria poder ser eu mesma. Mas também não queria ser vista como o leite azedo da sociedade, a erva daninha, como o próprio Papa já afirmou...

Estou escrevendo tudo isto, para que você entenda que posso dizer o que você sente, e como se sente, pois faz mal não poder expressar o que sentimos. E mais mal ainda, quando não somos bem vistos só porque acreditamos ou vemos as coisas de maneira diferente. Isto se chama preconceito e todo preconceito machuca.

Sinto também quando minha mãe me diz que meu pai reza todas as noites para que eu volte para a Igreja Católica, como se eu fosse direto para o inferno caso isto não aconteça. Sei que ele acredita no inferno e sei que ele não quer que eu vá para lá porque me ama, mas o que eu posso fazer? Ir para a igreja contra a minha vontade apenas para agradá-lo? Já tentei, mas não me sinto bem fazendo isto e ele sabe que não vou deixar de acreditar no espiritismo...

Uma única vez discutimos feio, eu e meu pai sobre religião e no final, não acrescentou nada, nem a mim, nem a ele.

Resolvi, então, não mais falar sobre religião e fazer de conta que esta diferença não existe. Ele deve pensar assim também, uma vez que não tocou mais no assunto.

Tenho uma única irmã, que teve um bebê neste ano e quer muito que batizemos seu filho. Eu gostaria muito, pois o amo muito também e já tinha sido avisada de sua vinda antes mesmo que ela engravidasse. Sinto que temos muito de outra vida. Você entenderia se visse como ele é apegado a mim. Quase todos da família dizem que ele parece gostar mais de mim do que dela. Mas não posso batizá-lo, a igreja proibiu. Minha mãe foi pedir para o padre e ele disse não. Que são normas da igreja...

Não vou deixar de amar meu sobrinho porque não posso batizá-lo, mas sinto sofrer este preconceito porque meu sobrinho não tem nada a ver com a minha religião e vai ter outra madrinha porque a igreja não quer que a madrinha dele tenha uma religião diferente e, não só diferente, mas como eles mesmo afirmam, uma religião do mal.

É isso... Agradeço muito por ter deixado seu comentário no meu Blog, retirei como você me pediu e, de coração, desejo a você toda a paz do mundo. Desejo que você seja feliz independente da religião que você tem.

Agradeço pelas palavras e por entender que não importa a religião que temos, mas que somos filho de um único Deus e que somos todos irmãos, querendo as pessoas ou não. Ah! Se ficar curioso e quiser dar uma olhada no nosso outro blog, fique à vontade. O nome é
http://www.partidaechegada.com/ .

Resposta a um comentário deixado na postagem Oração de renúncia ao espiritismo
(o comentário foi retirado a pedido do autor)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A GENTE PRECISA SE VER MAIS

Meu amigo realizou o sonho de uma nova e bela casa e estamos, alguns casais e amigos, ali, para jantar e conversar. Matar saudades.
Vivemos as peripécias dos anos 60, aquela coisa dos hippies, da utopia e da repres¬são. Estamos já de cabelos brancos, os que têm cabelos. De óculos. Falamos de filhos, de netos, de cachorros. São todos, de alguma maneira, bem-sucedidos em suas profissões. E, naturalmente, falamos mal do governo. Deste ou de qualquer outro.
Alguns foram viver no estrangeiro exilados, outros foram para estudar. Mas voltamos. E, no clima amigável da conversação solta, a memória vai se aquecendo, os fatos vão ressurgindo, e, de repente, abole-se o tempo, confunde-se o ontem e o hoje.

É tudo celebração.
Celebração da vida vivida como um filme entrecortado que tivesse tido vários diretores.
- Onde estava você quando mataram Kennedy?- Onde estava você quando Getúlio se matou?- Onde estava você em abril de 64?
- Where were you when they crucifica My Lord?

Quando saem todos, lá pelas duas da manhã, uma frase circula no ar: "A gente precisa se ver mais".
A gente se promete telefonar, marcar encontro, enfim, "se ver mais".
Frase banal.
No entanto, penso em como é diferente quando falada entre jovens. Aliás, jovem não fala assim. Diz: "Cara, pó! Você sumiu! Vamos no apê de fulana hoje, vai rolar um agito legal lá."
Ou seja, os jovens marcam encontros para dominar o espaço. Incorporados às tribos noturnas, ficam zanzando de um bar para outro, de uma praia para outra, de um esporte para outro, conferindo espacialmente o que está ocorrendo em outros lugares. Os jovens estão desbravando corpos, e para eles o mundo é uma coisa muito ampla e distante, algo que começa depois do círculo de giz narcísico que os contém.
Entre pessoas maduras, é diferente. Desbrava-se o conhecido. O conhecimento é re-conhecimento. Não é o espaço, o tempo é que importa.

Estar juntos é como estar ao redor de uma fogueira recontando a própria vida. Isto se parece também com guerreiros meio exaustos, com meia glória apenas, contando fragmentos de uma batalha ganha e perdida. E já que os presentes viveram experiências semelhantes, um é a memória do outro, o espelho do outro.
É um exercício de reunir fragmentos de vida, reachar em nós a imagem de ontem e reter um pouco o presente que se esvai. Tem, de certo modo, o sentido de carpe diem. Um carpe diem meio retroativo, olhando o retrovisor. Estamos curtindo o presente densamente, como quem toma um velho e bom vinho.
Mas há algo mais além da constatação de que os jovens vivem mais no espaço e os mais velhos vivem mais no tempo. Para os mais idosos nessas reuniões, a própria linguagem tem outra função. Lingüisticamente, os jovens têm mais uma fala denotativa e fática, cheia de exclamações, interjeições, poucas palavras. Não é uma linguagem dissertativa prenhe de memórias, reverberando muitas conotações como proustianamente é o caso dos adultos.

O jovem conversa sobre o presente e faz rápidas alusões ao futuro. O adulto conversa retroativamente. O passado cresce continuamente, ilumina o presente e delega aos outros o futuro.
"A gente precisa se ver mais" significa também que nosso tempo está se esgotando, e reencontrar-se é, por um instante, conseguir suspender o tempo, povoar, alargar mais a própria vida. Parece que cada um tem uma mochila, uma bagagem qualquer, e que vai abrindo esse farnel de lembranças a ser servido na mesa comum.
Essa coisa de estar juntos, vou dizer, nem precisa ser algo muito palrador, muito risonho, festivo. Existe um tipo de companheirismo silencioso, tipo cinema mudo, ou, mais pateticamente, tipo diálogo mudo de sombras. Se alguém quiser ficar calado ali, pode.
Uma vez li que Samuel Beckett e não sei mais quem costumavam se sentar num café em Paris e ficar ali silenciosos madrugada adentro olhando, para onde? Para fora e para dentro, num silêncio estranhíssimo. Quer dizer, calados, se faziam companhia. Um animado papo silencioso.
Lembram-se daquela canção do Paulinho da Viola em que duas pessoas se cruzam rapidamente pela rua e vão prometendo se ver, se telefonar, enfim, reunir o que a vida dispersa e fragmenta?Pois é, a gente precisa se ver mais...

(Affonso Romano de Sant’Anna - crônicas)
Quantas vezes dissemos ou prometemos isso a nós mesmos e aos amigos, quantas vezes deixamos pra depois achando que a vida é eterna e que ninguém vai morrer, como se bastasse o querer pra gente se reencontrar... Assim também é com o amor. Deixamos sempre pra depois, um dia diremos o quanto amamos alguém, o quanto esse alguém é importante em nossas vidas e... quando menos a gente espera, recebemos a notícia de que esse mesmo alguém já se foi. Aí lamentamos o que poderíamos ter dito e não dissemos, o que poderia ser demonstrado, mas, por causa da pressa, da correria do dia a dia, fomos deixando pra depois e agora já se faz tarde.
Seria bom se tirássemos um tempinho pra dizer o quanto amamos as pessoas, para reencontrá-las, para colocar o assunto em dia ou mesmo só para "conversar" em silêncio, se fazendo necessária apenas a companhia.
Um beijo a todos e que, aquele que estiver lendo esta crônica, esteja em dia com os amigos e pessoas que amam, pois eu não estou.

domingo, 18 de janeiro de 2009

EU GOSTO DO LULA!

Hoje vou falar sobre o nosso presidente. Isso mesmo, Luiz Inácio Lula da Silva. Ou, só Lula mesmo.
Estou de saco cheio de receber e-mail´s “moendo” com ele. Todo mundo fala mal. Tem uns que falam e que parecem nem gostar de falar mal dele... Mas falam... Porque todo mundo fala.
Há os que o detestam mesmo (e devem ter seus motivos), mas há os que se sentem na obrigação de detestar porque o cara foi pobre, nordestino, metalúrgico...
E ainda dizem que no Brasil não há preconceito...
O cara tem 9 dedos? E daí??! Muitos outros não fizeram nada com 10. Além do que, não passa de um extremo mal gosto fazer menção a qualquer deficiência que uma pessoa possa ter.
Existe uma hipocrisia velada isto sim.
Os que adoram o tal FHC, baseiam-se nos seus diplomas, na sua cara de homem culto, que com toda a cultura do mundo, não fez nada pelo país. Vontade não lhe faltou de aparecer e estar entre os melhores, assim como Lula está e sem implorar para aparecer lá fora.
Me vem à mente uma frase que li e que acho que cabe aqui: “ Amadores construíram a Arca de Noé, e profissionais, o Titanic”.
Isto me lembra meus 14 anos, quando era Chique gostar de Gal Costa, Chico Buarque e Caetano Veloso.
Alguém se lembra daqueles caderninhos que corriam de mão em mão na escola, em que, em cada página tinha uma pergunta e as pessoas adoravam responder?!
Nesta de cantor preferido sempre tinha lá o nome dos três acima citados.
Era uma época em que a música internacional era tudo de bom... Bee Gees, Vilage People, David Bowie, Gloria Gaynor, Abba, Elton John...
E quando a pergunta era sobre seu prato preferido então? Ninguem dizia gostar de bife com batata frita, nem de ovo mole com pão, nem nada do tipo... eram comidas que a pessoa nem mesmo tinha visto. Talvez tivesse lido em alguma revista.
Sinto pena de pessoas assim, sinceramente.
Não das que realmente gostam destas coisas, mas das que dizem gostar para parecerem melhores, para serem mais respeitadas.
Triste! Lamentável!
E assim caminha a humanidade...
Me parece que quanto ao Lula também é assim.
Não é muito estranho a aceitação dele estar em 80% e todos, absolutamente todos os teus contatos do orkut, msn, e os que trabalham com vc afirmarem detestar o cara?
Raro quem não tem mais de um carro na garagem (um era difícil)...
Raro quem não tem condições de colocar um fillho numa escola particular (antigamente nem existia).
Tá! Eu sou assim. Assumo que gosto de coisas simples do tipo arroz com ovo e tomate. Sei que posso ser considerada brega por gostar de Vitor e Léo, mas EU SOU VERDADEIRA. Sou o que sou. Não falo que gosto quando não gosto.
Eu sou mesmo fâ número um do nosso presidente. Acho que ele é o cara. Acho que ele é muito parecido comigo e com meu jeito de ser e por isso estou aqui pra deixar bem claro que: “Não gosto de receber e—mail´s falando dele. Não repasso nenhum deles e deleto assim que os recebo.
E tenho dito!
Um beijo a todos os que me visitam. Aos que gostam do Lula e aos que o detestam (de verdade).
Uma ótima semana a todos e que ele consiga realmentem manter a crise longe daqui.

 
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