sábado, 10 de agosto de 2013

PALAVRAS AO MEU PAI


Nossa! Quanto tempo estamos, e quantas coisas passamos juntos.

Há pouco menos de um mês você fez aniversário e não pude estar com você, mas com todas as minhas forças e como se fosse em parto, consegui, depois de muito pensar se faria ou não, dizer a vc tudo o que penso e sinto.

Você é durão. Eu, aprendi a ser durona também, como você. Afinal, me espelhei em você a vida toda. Mas, precisava falar, pois se deixasse, poderia ser tarde.

Naquele 18 de julho, disse a você tudo o que sentia. Que te amo mais que tudo, que você é e sempre foi o meu herói. Que segui seus conselhos quanto a buscar a independência e ser eu mesma, sem depender de ninguém e, principalmente, me pediu que fosse mais, um pouco mais, que você conseguiu ser (profissionalmente). Me lembro que você sempre trabalhou duro, dois, três períodos e nunca vi você reclamar de nada e nunca me faltou nada também. Houve tempos difíceis, mas que você sempre superava e aumentava o amor e o carinho dentro de casa e tudo se resolvia. Me ensinou a brigar pelo que era justo e não desistir nunca. Lembrei das tempestades... como eu tinha medo de chuva, raios e trovões e você me levava até a janela e mostrava como era lindo o céu ser cortado por tantos raios e como a chuva era uma benção pro universo. Lembrei de quando, além de pai, você foi meu professor e judiou de mim, pois exigia muito, pois dizia que eu tinha de servir de exemplo aos outros alunos.

Eu falava ao telefone e chorava por nunca ter dito isso antes... E você, do outro lado da linha, há muitos km de distância, se calou, apenas ouvia e pude perceber que você chorava baixinho, assim como eu. Disse ter orgulho por você ser meu pai, que não escolheria outro se tivesse de escolher mais uma vez e outra e outra. Ah, Pai! Como eu amo você.

Apesar de você trabalhar muito, você sempre que chegava em casa me dava atenção. Eu esperava pela sua última aula do dia, às vezes depois das onze da noite e, mesmo cansado, muito cansado, nunca negou uma partida de rouba-monte e depois outros jogos menos infantis... E eu, na maioria das vezes ganhava, mas sempre achei que você me deixava ganhar pra me ver feliz e sorrindo e pulando...

Sempre tivemos um sonho, de ter uma casa no Sul e não queria que você se fosse antes disso acontecer  e corri atrás e fiz das tripas coração para realizar o nosso sonho e você me ajudou e hoje, também nos sentimos felizes por tudo ter dado tão certo.

Você anda meio doente, nada grave, mas não se movimenta tanto como antes e a mãe até reclama que você não é mais o mesmo, pois ela, por ser nove anos mais nova anda se ocupando de coisas que antes ela nem sabia que existiam, como seguro de carro, casa, pagamento de contas e por aí vai. Mas é justo. Você precisa descansar e tem o direito de se esquecer das coisas como vem fazendo. Até nisso somos parecidos,  esquecidos! E a gente costuma brincar que se pedir mais de três coisas pra gente comprar,  vem faltando uma, portanto, é melhor fazer uma listinha... rs.

Ah Pai! Como eu amo você...

Só queria que soubesse disso e consegui fazer com que isso acontecesse. Com isso, lavei a alma e sinto que não nos falta falar mais nada. Depois de muita “rasgação de seda”, que ninguém presenciou, num momento que foi só nosso, resolvemos parar com tanto drama e voltar a ser os durões de sempre, mas com muito mais amor no coração e com um sentimento de que fizemos o que deveria ser feito.

Que Deus te proteja, meu pai e que cuide de você como você sempre cuidou de mim.

Como eu amo você...

terça-feira, 9 de julho de 2013

sábado, 8 de junho de 2013

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

EU QUERO DESCER...

O mundo tá perdido!!!

Hoje, fui à Unimed pra um exame de laboratório.

Assim que entrei, vi que atrás de mim vinha outra pessoa e segurei a porta pra ela passar, como sempre faço, afinal, não é de bom tom soltar a porta na cara dos outros...
A fulana passou, e se apressou para pegar a senha de atendimento antes de mim....rs

Fiquei de cara!

Não esperava por um agradecimento, pois já enfiei na cabeça que fazemos por nós e não pelos outros, mas daí à pessoa se aproveitar e correr pra pegar uma senha antes de vc...

O pior é que isto tem sido frequente...

Aí me pergunto! _ O que tá acontecendo com as pessoas? Onde está a educação, a consideração??? 

Tudo bem...

Procurei um lugar pra sentar e esperar o meu número, que seria depois da fulana.

Tinha um lugar que pegava um pouco de sol e o calor estava infernal.

Do lado tinha uma senhora, que ocupava confortavelmente duas cadeiras à sombra. Uma para ela e outra para a sua bolsa... Com certeza sua bolsa sofre de algum problema e precisa ser preservada do sol.

Ok. Esperei ali mesmo... O que me restava?

Aff!

Parem o mundo que eu quero descer...
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A DOR MAIS DOÍDA

Peggy, em foto de dezembro de 2011, linda e altiva, no dia de seu último banho fora de casa
Quando penso em uma dor, não física, mas da alma, do fundo do coração, imediatamente me vem a mente o drama sofrido quando tive de tomar a pior e mais difícil decisão da minha vida. Não é exagero não. Foi a pior coisa que me aconteceu, quando tive de decidir a vida ou a morte de uma amiga de longos anos.

Sabe aquela amiga que fez parte dos momentos bons e ruins e que nunca te deixou só, que sofreu com você, que ficou feliz por você... Aquela que dizia tudo apenas com um olhar e que a gente entende no silêncio?! Pois é. Assim foi com a Peggy. Minha poodle, que me acompanhou por 18 anos. Como me casei cedo, ela ficou mais tempo comigo do que meus pais. Como me separei depois de 17 anos, passou mais tempo comigo do que meu ex. Portanto, foi ao lado dela que mais tempo passei a minha vida.

Ela sempre esteve em todos os momentos.

Me deu muitas alegrias e muitos sustos também. Era marrenta, se ofendia por nada e saía do recinto como se não fosse voltar nunca mais. Voltava logo depois, mas primeiro fazia tipo...

Se alguém me perguntasse sobre um grande amor, além dos normais, ela teria destaque.


Mas, como tudo na vida, ela se foi.

Tudo seria normal se ela tivesse ido sem a minha participação, sem o meu “sim” final.

Afinal, eu não podia querer mais, pois já tinha tido o privilégio de tê-la comigo por 18 anos. Mas porque sobrou pra mim a decisão de viver ou  morrer? Aí entra a dor mais doída, mais triste e angustiante que alguém possa sentir.

Apareceu um tumor, pequeno, uma bolinha debaixo do braço esquerdo. Levei ao veterinário e ele disse que era melhor esperar, pois ela já tinha dado muito trabalho quando quase morreu em uma cirurgia há oito anos atrás. Pela idade, começou a ter, de um ano pra cá, problemas no coração. Desmaiava sempre que se esforçava ou ficava feliz demais. E demorava a voltar e cada vez que isto acontecia, eu entrava em pânico achando que ela não voltaria. Sofremos muito até encontrar um remédio que parasse com as crises. Mas o tumor crescia e o veterinário disse que ela estava começando a sentir dores e desconforto. Os primeiros remédios para dor foram aplicados e ela melhorava e continuava a mesma, já velhinha, mas linda e elegante como sempre foi.

Um dia o tumor rompeu a pele e ficou exposto. Ela visivelmente sofria, mas aumentamos as doses de remédio pra dor e eu fazia curativos constantes para que ela se mantivesse seca e cheirosinha. Daí as coisas só foram piorando.

No início, pensar em eutanásia estava fora de cogitação. Eu não poderia, em hipótese alguma decidir sobre uma vida. Mas o tumor aumentou e as dores e o mau cheiro e tudo aquilo ia paralisando a minha querida amiga. Já tinha perdido o movimento do bracinho esquerdo e da patinha e sentia que avançava para o pescoço. Nunca sofri tanto em minha vida vendo o sofrimento de uma amiga tão querida. Levamos ela pra praia mais uma última vez, pois nunca deixou de ir e agora, que tínhamos comprado um apartamento lá, ela tinha o direito de conhecê-lo, afinal, participou de todos os projetos para a aquisição dele. Ela parecia saber que seria sua última viagem. Passamos lá muitos dias e ela enfraquecia a olhos vistos. Retornamos e já não sabia mais o que fazer por ela. Estava entre o desespero de tirar sua vida e do medo de estar sendo egoísta mantendo-a em condição tão sofridas.

Resolvi pelo que seria melhor pra ela...

Eu e a Peggy: amigas para sempre
Levei ao veterinário e disse que ela precisava parar de sofrer. Ele perguntou se não queria deixá-la lá, voltar pra casa e pensar melhor. Não! Respondi. Ela nunca ficou longe de mim e deixá-la lá seria mais sofrimento para ela e para mim. Como eu chorava demais, ele perguntou se eu queria tentar uma cirurgia que tiraria o nervo e talvez a dor melhorasse... Aí pesei as consequências: Ela faria uma cirurgia, da qual o próprio médico achava muito improvável que ela saísse com vida por causa da idade; se sobrevivesse, acumularia as dores da doença e mais a da cirugia, o corte, os curativos... “Não!”, respondi. Se ela tem de ir, que seja comigo do seu lado. Não queria que ela morresse ali, na mesa de cirurgia, sem nem mesmo se despedir de mim.

E olhava pra ela, deitada na mesa gelada, tendo sido examinada e esperando que eu, sua melhor amiga desse a palavra final.

Aquilo me matava por dentro. Chorava copiosamente e ela que nunca parava quieta quando ia pro veterinário, naquela manhã, mantinha-se imóvel, só esperando a decisão da qual dependia sua vida ou sua morte.

Eu pedia a Deus que ajudasse, que me desse forças pra fazer o que tinha de ser feito e chorava, como faço agora ao me lembrar de tudo.

E, tirando forças de sei lá onde, mas com muita fé de que estaria fazendo o melhor pra ela, disse que fizesse a eutanásia. Eu já tinha procurado me inteirar do assunto, lido tudo o que tinha a ver com o assunto, o quanto ela sofreria, se sofreria. Procurava em livros espíritas sobre isso, em matérias de revistas e jornais. Como se em algum lugar fosse encontrar alguma coisa dizendo que isso era o melhor pra ela.

Peggy, em foto de 2008
Não adiantou... a decisão era minha mesmo, só eu poderia resolver se deixaria ela sofrendo ou se trairia a minha melhor amiga pondo-lhe um fim em sua vida.

Era isso, enquanto o procedimento avançava, eu olhava pra ela, calma, imóvel, indefesa. E tudo foi acontecendo como se eu estivesse anestesiada, entorpecida, participando de um filme que estava por terminar.

Ela não se mexeu, manteve a classe, a meiguice e como a se despedir, parecia pedir pra que eu ficasse em paz, porque ela também estava. E tudo se acabou...

Matei a minha melhor amiga. Deixei que tirassem a sua vida e parecia que era pra ficar livre do trabalho que ela estava dando ultimamente, pois eu já não dormia ou dormia no chão com ela pra que se sentisse melhor, mais protegida.

Fui eu seu algoz. Aquela a quem tanto amou e se dedicou, deu a ordem para que tirassem sua vidinha.

O veterinário, que cuidava dela quase que a vida toda também sofria e quando terminou, falou pra colocarmos o vestidinho dela. Coloquei a roupinha, e a tomei nos braços. Parecia só estar dormindo. Na sala da recepção, ninguém percebeu que ela estava morta, pois mantinha os olhos abertos, como dizem ser normal nesse caso. Em silêncio, entramos no carro e voltamos pra casa, onde precisávamos fazer uma despedida decente pra ela. Jamais deixaria que ela tivesse outro destino, senão a casa onde vivemos sempre muito felizes.

Meu marido abriu um buraco no jardim, arrumei uma caixa, forrei com um pano limpo e acomodei minha amiga, deitadinha de lado com seu vestidinho cor de rosa. Tampei a caixa, com o cuidado para que não entrasse terra, afinal, ela sempre foi muito limpa e cheirosa e merecia estar em um lugar limpo e cuidado também.

Meio-dia! Essa foi a hora do seu enterro. Tudo parecia muito quieto. Só o barulho de passarinhos e uma sensação de estar enterrando um entezinho tão querido e amado e suplicando a Deus o perdão, caso estivesse cometendo algum pecado. Pedi perdão a minha amiga pela decisão e espero, do fundo da minha alma, ter feito a coisa certa.

Essa foi de longe, a dor mais doída que já senti.

Aqui, uma homenagem a minha doce e amada Peggy. Companheira e dedicada, amorosa e inesquecível cachorrinha.

Em seu último mês, o olhar perdido, a pata imóvel e inchada e uma dor permanente

domingo, 13 de janeiro de 2013

O POUCO QUE NOS FALTA E O MUITO QUE TEMOS



Chove e chove e chove, sem parar...

O dia fica mais escuro e nos remete, sem querer, ao passado. Em uma viagem onde tudo era simples e brincar na chuva, nada mais era do que uma maneira de se divertir e ser feliz. 

Me lembro que quando ameaçava chuva, esperava ansiosa para poder correr pra ela e me molhar e andar debaixo do beiral da casa, onde formava uma cortina de água. Depois corria pra rua e quando a chuva já estava mais forte a ponto de formar uma enxurrada na beira do meio fio, eu me sentava para bloquear o caminho da água e fazer com que passasse por cima das minhas pernas. Ou, ainda, quando não me atrevia a tanto, colocava meus pés, um na frente do outro pra fazer a mesma barragem. E ficava ali, olhando, como se fosse a coisa mais legal do mundo. Sem falar no barquinho improvisado que fazia, de papel, e deixava correr como se tivesse rumo certo e pressa em chegar ao destino: “bueiro”.

Não me lembro de ter ficado doente ou pego alguma bactéria por ter cometido tamanho desatino...rs

Me lembro também, das vezes em que passava férias na casa da minha avó, no sítio, e lá me deparava com uma outra espécie de chuva. Uma que chegava apavorando, gritando e esparramando tudo o que via pela frente. Com direito a pedras e tudo mais. E quando a coisa ficava mais séria, minha avó mandava a gente se esconder debaixo da mesa, pois havia o risco do granizo quebrar as telhas e elas caírem sobre a gente. É, porque não tinha forro, nem laje como é tão normal nos dias de hoje. Na hora era um pavor só, mas ao mesmo tempo, uma aventura que, duvido muito, que alguma criança tenha nestes tempo.

Antigamente as casas eram pequenas, as pessoas ficavam mais unidas, tanto no carinho quanto nas horas de medo. Não tinha muito pra onde correr, era só rezar pra que a chuva fosse embora sem fazer muitos estragos.

Hoje temos construído casas gigantes, com muitos cômodos, muitas salas e muitos banheiros, sendo que, na verdade pouco usufruímos de tudo isto. Já não nos satisfazemos com uma casa térrea, precisamos ter um andar, dois... e nem sempre  sente-se o calor e a sensação de um lar, de que ali abriga uma família. Parece mais uma caixa grande, dividida em várias caixinhas, com pessoas espalhadas por ali.

Temos salas, que em metros quadrados, tem o mesmo tamanho de pequenas residências. O mesmo tamanho das nossas casas na infância, onde éramos felizes e o pouco espaço não diminuía em nada esta felicidade.

Li uma frase estes dias no Facebook, onde dizia “sofremos demais pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos”. É a mais pura verdade. Somos exigentes demais e quando pensamos em uma fase em que a vida tenha sido maravilhosa, vamos direto para a infância, onde tínhamos muito menos, mas éramos muito mais.

A chuva ainda continua, o domingo vai se acabando devagar e amanhã talvez venha o sol ou mais chuva (quem sabe?!), mas com certeza uma nova oportunidade de diminuir os erros e sermos melhores que hoje.

Beijinhos a todos que ainda aparecem por aqui, neste “blog abandonado”, mas que prometo cuidar melhor daqui pra frente.

 
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