domingo, 13 de dezembro de 2009

OS CHEIROS DO NATAL



Acordo cedo e saio a caminhar pela casa. Entro na sala de estar, que ainda tem os destroços da festa. Papel de embrulho descartado, restos da algazarra que fizemos abrindo os presentes na noite anterior. Os cheiros da festa também ainda estão no ar. Bebida, peru assado. Lembro que os presentes também tinham cheiro. Bola de futebol nova, por exemplo. As bolas eram de couro mesmo, com a cor natural e o cheiro do couro, e com cadarço. Você não sabia se já saía chutando a bola ou se guardava aquela preciosidade à salvo de chutes e arranhões, só para cheirar. Lembro que no mesmo Natal em que ganhei minha primeira bola de tamanho oficial ganhei outro presente: um kit com uma estrela de xerife, um revólver, um cinturão de caubói com coldre e um cilindro cheio de fitas de espoletas. Colocava-se uma fita de espoletas no revólver e acionava-se o gatilho, fazendo estourar as espoletas. Outro cheiro inesquecível do Natal, o de espoleta recém-deflagrada. Sem saber escolher entre um presente e outro, eu afivelei o cinturão (com babados no coldre) em torno do corpo franzino e saí abraçado com a bola e dando tiros, iniciando uma carreira inédita de jogador de futebol caubói, até a mãe ordenarque parasse porque ninguém conseguia conversar na sala. E foi nesse Natal que conheci o Papai Noel.


Tinham anunciado que naquele ano receberíamos o Papai Noel em casa.


Ele não deixaria apenas os nossos presentes, misteriosamente, como das outras vezes. Apareceria. Em pessoa! E à noite lá estava o Papai Noel batendo na nossa porta, e sendo recebido por mim, minha irmã, um primo e várias crianças da vizinhança, todos de boca aberta. Era ele mesmo, não havia dúvida. A roupa vermelha grossa, o gorro, a barba branca, as bochechas rosadas e o saco. O maravilhoso saco, de dentro do qual tirou nossos presentes - a bola de futebol, o revólver de espoleta, como ele sabia que era o que eu queria? Depois deu tapinhas na cabeça de cada um, disse qualquer coisa e desapareceu. Mais tarde entrei na cozinha e dei com o Papai Noel sentado, conversando com a cozinheira e tomando uma cerveja. Tinha tirado a máscara. Reconheci a sua cara suada: era o Bataclan, uma figura folclórica de Porto Alegre, um negro que fazia propaganda - "reclame", chamava-se então - na rua. Não lembro como eu racionalizei a revelação. Se deixei de acreditar no Papai Noel ali mesmo, se passei a acreditar que o Papai Noel, quando não estava em serviço, era o Bataclan, e vice-versa. Talvez não tenha concluído nada. O bom de ser criança é que a gente não precisa racionalizar. (Luis Fernando Veríssimo)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

QUANDO A PREFERÊNCIA SEXUAL CONTA MAIS QUE O CARÁTER

Há muito tempo não posto nada... Um pouco por preguiça, por ter muitas coisas pra fazer... mas a verdade mesmo é que só posto quando algo me chama a atenção e me deixa, ou muito brava e indignada ou muito feliz e orgulhosa. Geralmente o que me provoca tais sentimentos são as ações do ser humano, e isso me inclui, com certeza. Mas, é sempre mais fácil enxergar o que os outros fazem de bom ou ruim...

Se faço algo bom, não acho que mereça postagem, pois não fiz mais do que a minha obrigação e, se fiz algo ruim, talvez não perceba até que alguém chegue e fale (e nem todo mundo tem coragem de apontar os erros da gente, assim, na cara dura...rs).
Hoje, soube da explosão de uma bomba, que, por sinal, era coisa certa. Dilemas do ser humano... Na verdade, não considero uma bomba e nem mesmo um dilema. Talvez, por não fazer parte da história ou por realmente não ter nenhum preconceito.

Uma pessoa muito amada, que sofria muito até então com o que considera um problema, não suportando mais a angústia e a pressão, resolveu encarar o mundo, mais precisamente a família e expor sua preferência sexual.

Pelo que fiquei sabendo, foi um choque, muitas lágrimas, muito desgosto, muito lamento... Tem os que realmente não se surpreenderam e tentam ajudar, tem os que fingem que aceitam pra passar por bonzinhos e os que realmente não aceitam.

Os primeiros vêem as coisas com naturalidade e acham que nada de mais aconteceu, que isso acontece com qualquer um e que a vida continua e nada mudou.

Os tais bonzinhos, encaram como uma doença contagiosa, parecem ter medo de chegar muito perto, dizem que não vêem nada de errado, mas na verdade, dão graças a Deus por não ter acontecido com o filho deles.

Os últimos, são os protagonistas, os preconceituosos, os que sempre apontaram pro filho dos outros e lastimavam a má sorte deles por terem um filho ou filha assim.

O caráter do réu (porque passa a ser réu aquele que prefere a verdade a mentir, a dissimular, a enganar) é esquecido. O caráter já não conta... o espírito bom e iluminado, o coração bom, isso já passa a não ter tanta importância...

Como o ser humano é hipócrita! Prefere esconder debaixo do tapete e fingir que não existe porque é mais cômodo pra ele. Preocupação com o drama do outro? Pra que? Foi ele quem quis isso...
Será? Quem quer isso? Quem escolhe ser diferente? Quem é louco o suficiente pra afrontar uma sociedade preconceituosa, sabendo que corre o risco de ser colocado à margem da sociedade pelo simples fato de ser diferente?!

Isso me faz lembrar algo que li escrito por Paulo Coelho no livro Maktub e faço questão de reproduzir aqui:


“Na véspera de Natal, o viajante e sua mulher faziam um balanço do ano que estava terminando.
Durante o jantar no único restaurante de um povoado nos Pireneus, o viajante começou a reclamar de algo que não tinha ocorrido como desejava.
A mulher olhava firme a árvore de Natal que enfeitava o restaurante. O viajante achou que ela não estava interessada na conversa, e mudou de assunto.
- Bela a iluminação desta árvore - disse.
- É verdade - respondeu a mulher. - Mas, se você reparar bem, no meio destas dezenas de lâmpadas há uma que esta queimada. Mas parece que, em vez de ver o ano como dezenas de Bençãos que brilham, você esta fixando seu olhar na única lâmpada que não iluminou nada.”


É isso!
A maioria das pessoas fixam o olhar na única lâmpada apagada esquecendo-se de olhar o brilho das que estão acesas, das que realmente fazem a diferença...


É pra se pensar.

É pra refletir e ver que não somos nada. Quem ninguém é melhor do que ninguém. Que cada um é uma árvore e que tem suas lâmpadas acesas e também as apagadas. É preciso dar importância ao que realmente tem importância...

Um beijo a todos os que me visitam e têm a paciência para as minhas longas ausências.

sábado, 25 de abril de 2009

TANK MAN


O chinês solitário que foi clicado quando tentava impedir um massacre, que se posicionou na frente de uma fila de tanques, nunca foi identificado, nunca ninguém teve a curiosidade em saber o porquê daquele ato, mesmo a foto ter sido premiada e ficado famosa.

Talvez se tivesse tirado a roupa, ou entrado em uma universidade atirando em outros jovens, as pessoas teriam se interessado mais por ele...

Triste isto.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

HÁ SEMPRE OUTRA SAÍDA...

Talvez isto já tenha acontecido com você: ao chegar para apanhar o carro, outro veículo está estacionado bem grudado ao seu, impedindo você de abrir a porta. O que fazer? Xingar, brigar? Essas talvez sejam as atitudes mais comuns... mas, será que resolvem o problema?
As reações violentas são as que brotam mais facilmente. No entanto, é importante pensar nas soluções possíveis em vez de piorar a situação. Há uma porta do outro lado do carro - que tal entrar por ela? Pode dar um pouco de trabalho, mas funciona!

Em todas as situações da vida, há sempre outra porta. Basta querer encontrar as saídas, não os culpados. Por isso, pensemos antes de despejar ofensas e xingamentos. Pensemos bem antes de remoer a raiva, porque isso nos embrutece. Além do mais, a gente também erra e, um dia, podemos precisar da compreensão do outro. Como se diz, a vida dá voltas e, de repente, nos prega uma peça.

Então, ajamos com inteligência e não reajamos no calor da situação. Acalmemo-nos. Tornar as coisas mais difíceis ou facilitá-las é uma decisão nossa. Se a vida impede a gente de entrar por uma porta, abramos outra! (Karla Precioso)
Passei por isto, certa vez, quando comprei um apartamento e fui lá pra dar uma olhada nele. Coloquei o carro na vaga que me pertencia. Era a minha primeira visita ao prédio... Limpamos o apartamento e quando saímos, demos de cara com um bilhete no pára-brisas do carro que dizia para da próxima vez encostar mais o carro na parede, pois tinha ficado um espaço pequeno para a pessoa que me repreendia. Na hora, achei graça, depois achei triste, pois tentei me colocar no lugar dela e percebi que ela devia ser muito infeliz, pois tinha, provavelmente, estragado o seu dia o fato de tê-la "espremido" em sua vaga de garagem. Não foi por mal, é claro, afinal, eu não sabia que estaria causando um mal tão grande a alguém... Depois, fiquei com raiva, pois, que besteira, ter deixado uma advertência em meu carro... poderia ter falado simplesmente, ou tentado me conhecer, mas aquele bilhete deixou claro que ela queria distância dos novos proprietários, como se dissesse que não éramos bem vindos. Pensei, num lance de raiva, em deixar uma nota de 50 reais no pára-brisas do carro dela juntamente com um bilhete dizendo estar ressarcindo-a por seus prejuízos e por ter estragado o seu dia por permanecer ali por menos de uma hora, mas, seria muita arrogância da minha parte fazer isto e estaria mantendo o nível da conversa. Aí, deixei pra lá e percebi o quanto sou feliz por não precisar morar naquele lugar, com pessoas tão azedas como aquela. Não a conheci, não sei seu nome, só sei que deve ser minha vizinha pela vaga na garagem. Este foi nosso primeiro e último contato, afinal, nunca mais voltamos lá. Nunca comentei este fato, mas fiquei imaginando como seria aquela mulher, se era casada, se amava seu marido, se tinha filhos, se os amava também, se tinha amigos, pais, enfim... se era uma pessoa normal e feliz ou se tinha tido algum trauma na infãncia ou se simplesmente era chata mesmo... Não sei. Talvez estivesse num mau dia, nada mais!
Beijos e um ótimo final de semana a todos.

DEFINIÇÃO DE SAUDADE

Médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional, com toda vivência e experiência que o exercício da medicina nos traz, posso afirmar que cresci e me modifiquei com os dramas vivenciados pelos meus pacientes.
Dizem que a dor é quem ensina a gemer.
Não conhecemos nossa verdadeira dimensão, até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.
Descobrimos uma força mágica que nos ergue, nos anima, e não raro, nos descobrimos confortando aqueles que vieram para nos confortar.

Um dia, um anjo passou por mim...

Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada, porém por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos, hospitais, exames, manipulações, injeções, e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapias e radioterapia.

Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

Meu anjo respondeu:
- Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!


Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:
- E o que morte representa para você, minha querida?

- Olha tio, quando agente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama não é?

(Lembrei minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, costumavam dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.)
- É isso mesmo, e então?

- Vou explicar o que acontece, continuou ela: Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é?

- É isso mesmo querida, você é muito esperta!

- Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei parado, sem ação.

- E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela.

Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei ao meu anjo: - E o que saudade significa para você, minha querida?

- Não sabe não tio? **Saudade é o amor que fica**!

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um dar uma definição melhor, mais direta e mais simples para a palavra **saudade: é o amor que fica!**
(Artigo do Dr. Rogério Brandão - Médico oncologista clínico)

Não nos esqueçamos nunca que somos espíritos eternos e que....a vida continua!
essa história é o melhor exemplo que podríamos ter.
Beijos a todos que não desistem de me fazer uma visita mesmo sabendo que nem sempre tem novidades.

quinta-feira, 19 de março de 2009

DEUS NÃO PODE SER TÃO IGNORANTE !

Estive lendo uma reportagem sobre o caso da menina que vinha sendo estuprada pelo padrasto desde os seis anos de idade.

Como não poderia deixar de ser, sempre escrevo quando fico indignada com alguma coisa e, como a única forma de desabafar é através deste meu blog, aí vai mais uma...

Não entendi bem a posição do Sr. Bispo, achei exagerada a leitura que ele faz dos próprios dogmas, das próprias crenças, até que, vendo uma reportagem na TV, estando em férias e, portanto, junto da família, mais especificamente meu pai, que já disse aqui ser Católico Apostólico Romano, ouvi dele que o Bispo estava certíssimo, que a excomunhão das pessoas envolvidas no aborto estava correta. Que ninguém tem o direito de tirar a vida de outra pessoa.

Eu concordo plenamente com isso (que ninguém tem o direito de tirar a vida de outra pessoa), pois também sou contra o aborto. Mas, acontece, que o caso é diferente de tudo o que já foi visto. Trata-se de uma menina de nove anos, que ainda não está formada e não tem condições de gerar um filho, muito menos dois. Foi dito pelos médicos, que ela não suportaria esta gravidez e, portanto, o aborto deveria ser realizado.

Eu acho que pensaria diferente se ela tivesse mais idade e em condições de ser mãe, não sei... Não é fácil falar sobre algo que não nos atinge diretamente.

Mas, excomungar o médico, a mãe e todos que estivessem de acordo com o aborto foi muito longe, mesmo para um representante de Deus.

Eu acredito num Deus misericordioso, justo, bom... Será que este meu Deus excomungaria as pessoas assim?!

O pior é que o padrasto da menina, o asqueroso, o monstro que cometeu os estupros por tanto tempo, nada recebeu como punição divina... O Sr. Bispo disse que era só ele se arrepender e fazer uma oração e seria perdoado...

Eu, se estivesse no lugar do médico, faria sim o aborto, afinal, ele se comprometeu quando fez o juramento diante dos colegas e professores no dia da sua formatura que trabalharia sempre para salvas vidas. Deixar que isto fosse adiante, seria a continuação da crueldade sofrida pela garota até então. Ela que já sofreu pelos abusos, teria que esperar a morte por mais alguns meses. Se ela não viesse, teria de ser mãe de duas crianças, tendo apenas nove anos. Quem cuidaria da situação?

O Sr. Bispo?

Com certeza não, pois este nem mesmo soube dizer o nome da menina...

Ela teria condições psicológicas para ser mãe e carregar esta responsabilidade para sempre?

Ok.

Digamos que o Bispo esteja certo e Deus espere isto mesmo de seus representantes...

Será que Ele, Deus, esperava a morte de tantas pessoas em seu nome, como ocorreu na Inquisição, nas chamadas guerras santas promovidas por papas? A pedofilia tão praticada hoje em dia e, na grande maioria das vezes, por representantes Seus???

Ele, o Sr Bispo disse que existem nove pecados que levam à excomunhão automática e dentre eles, “a absolvição por um sacerdote do cúmplice de um pecado da carne”. O que se entende por pedofilia praticada por alguns sacerdotes??? O que pensar quando estes sacerdotes, geralmente, ao invés de serem excomungados, são apenas transferidos de paróquia???

Vou transcrever as palavras de Juliana Linhares (
jornalista que entrevistou o Sr. Bispo para a revista Veja ) : “Ao longo de 2000 anos de história, duas forças, ora conflitantes, ora complementares, moldaram a Igreja Católica: a doutrina do amor e o amor pela doutrina. Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife, é sem dúvida um homem da segunda força.”

Eu ainda sigo e acredito na primeira força...

Eu ainda, acredito mais no amor d
o que nas leis. Quer sejam religiosas ou não.

Um beijo a todos que se compadeceram do drama sofrido pela menina e por sua mãe.

Que Deus ignore tanta ignorância e não compartilhe da radicalismo do Sr. Bispo e, lance seu olhar de compaixão e amor sobre o médico, a mãe e a garota que já suportou tanta desgraça.

Quanto ao pai... Ele terá tempo de rever suas atitudes. Se não nesta vida, em outra que lhe será concedida para quitação de seus débitos e que pela bondade suprema do criador terá a oportunidade de evoluir e se tornar um espírito melhor.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

ANGEL BLOG AGORA TAMBÉM NA ABRIL BLOGS

Você agora pode acompanhar e ter todo o conteúdo do Angel Blog em um novo endereço, a Abril Blogs. No ar desde agosto de 2008, o portal da Abril Digital foi desenvolvido para atender a uma demanda crescente de novos meios e das mídias sociais.

Trata-se de uma rede interligada com pelo menos mil blogs sobre diversos temas, com uma seleção especial para os endereços mais acessados, os mais comentados e os considerados Vips na comunidade.

O Angel Blog poderá será acessado na abril Blogs pelo endereço : http://blogs.abril.com.br/angelssol. Ingressamos há apenas uma semana neste condomínio virtual e já contamos, até agora, com quase seis mil visitas e a inclusão no ranking dos cem blogs mais lidos do portal, em 60. lugar. Agradecemos aos leitores, amigos e aos integrantes de nossas redes sociais, no Orkut, Yahoo Grupos e aos blogs amigos Partida e Chegada e Amor de Almas. Apesar disso, este (www.angelssol.com) continuará a ser nosso endereço principal e você pode priorizá-lo entre seus favoritos.

BAÚ COM NOSSAS HISTÓRIAS DE INFÂNCIA

Todos sabem que sou do interior do Paraná (uma cidadezinha chamada Sabáudia) e que, criada para valorizar as coisas simples, aprendi que a ter uma verdadeira paixão pelo singelo, pelas palavras claras, pela ausência de luxo, mas também pela essência, pelo conteúdo das belas mensagens. Penso assim e tentei passar esta lição a meu filho, que hoje já tem 24 anos (nossa!), e agora tento, ainda que instintivamente, fazer o mesmo com o meu sobrinho nos momentos em que ele está comigo. Pedrinho, este garotão da foto abaixo (e nestas outras), é uma alegria e uma feliz companhia... Uma alma especial que voltou para nos fazer companhia nesta viagem que chamamos vida.

Ele tem apenas nove meses e já passou muitos dias em casa. Por causa dele, voltei a assistir programas infantis e descobri, com satisfação, a TV Rá tim bum (nascido da programação da TV Cultura de São Paulo). É uma alegria ver que a impressão que tinha de programas como Cocoricó e Vila Sésamo continuam e que a magia que exerceram sobre mim permanece e, ainda hoje, cativa e ensina as crianças. Mas foi o Pedrinho, que agitado pela música de abertura, me chamou a atenção para um programa novo e inovador na sua simplicidade, o Baú de Histórias (foto acima). Como o próprio nome diz, é um momento de contar histórias de todos os tempos, quase do jeito que nossas avós gostavam de narrar, com risos, vozes trocadas e palhaçadas.

O programa é feito pela Cia. Ópera na Mala, composta pelo casal Sergio Serrano e Cris Miguel. E eles completam agora dez anos de trabalho e para comemorar estão apresentando no Sesc Paulista, na Avenida Paulista, em São Paulo, o espetáculo "Baú de Histórias". A peça, criada a partir de algumas histórias contadas no programa da TV Rá-Tim-Bum, conta a história de um rei déspota que tem orelhas de burro. Como recompensa por um ato de bondade, o rei recebeu orelhas normais, mas elas são ávidas por ouvir histórias. Então ele cria um concurso de histórias para ver se alguém consegue contar algo que o satisfaça.

Como consta no Guia da Folha, "utilizando bonecos de várias técnicas, teatro de sombras e músicas tocadas com variados instrumentos (como acordeão, gaita de fole e balalaica russa), os contadores reinventam alguns clássicos e contos da tradição oral. Entram no repertório da dupla histórias como "Dom Quixote e Sancho Pança", "O Contador de Histórias", "A Princesa e o Lelo do Castelo", "Senhor Andino" e "O Professor Nicolau Nicolaievski", entre outros. Além do espetáculo, o público poderá visitar a exposição de bonecos e a cenografia "10 Anos de Cia. Ópera na Mala!", além de participar de oficinas de teatro de animação para crianças e adultos".

Sesc Avenida Paulista - av. Paulista, 119, Bela Vista, região central, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx11/3179-3700. Ingr.: R$ 12 (inteira). R$ 6 (usuário matriculado no Sesc e dependentes, acima de 60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 3 (trabalhador no comércio de bens e serviços matriculado no Sesc e dependentes). Dur.:50 min. Livre.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

ESTE LULA, SÓ MATANDO...

Outro dia falava aqui sobre minha indisfarçável aversão a uma verdadeira praga da internet, que são os e-mails e postagens falando mal do Lula (veja aqui). Como esperado, nenhum "anônimo" se manifestou contra minhas idéias, seja despejando estatísticas, seja com o comum preconceito com que nosso presidente é tratado. Mas hoje, uma humilde blogueira amadora, vi com satisfação o jornalista Ricardo Kotscho falando em seu blog sobre a já quase lendária, inexplicável e "odiada" popularidade do torneiro mecânico que se tornou presidente. Sem dúvida dirão que ele, embora seja um dos profissionais mais respeitados da imprensa, disse isto porque foi assessor da Presidência e amigo de Lula. Pois, não importa, mesmo porque Kotscho deixou o governo por livre e espontânea vontade, avesso aos meandros e à burocracia do poder, mas não deixou de ser leal, justo e, acima de tudo, bom jornalista e reconhecer a verdade dos números.

Para os que concordam ou discordam vai aqui o texto enxuto e exemplar, publicado no blog Balaio do Kotscho : "Ao voltar do dentista, fui dar uma espiada, como diria o Pedro Bial, no blog do meu colega Ricardo Noblat, e tomei um susto quando vi a manchete na home do Globo.com: “Crise faz produção industrial ter, em dezembro, maior queda em 17 anos”.

Já imaginei logo meus velhos amigos da imprensa esfregando as mãos de satisfação como a dizer: “Agora ele se ferrou! Espera só a próxima pesquisa! Só quero ver!” Pois logo abaixo da manchete, vem a chamada para o blog do Noblat: “Apesar da crise, popularidade de Lula aumenta”. E não só aumentou a aprovação de Lula na nova rodada do Instituto Sensus, como bateu novo recorde: chegou a 84%. Em dezembro, era de 80,3%.

Que se passa?, perguntaria, incrédulo, meu amigo Clóvis Rossi, com toda razão. Você pega o jornal, liga a televisão, folheia a revista, e é só crise, crise, crise, o Brasil se acabando, caminhando para o abismo. O governo apanha de todo lado, qualquer que seja a medida adotada para enfrentar a crise. Demora demais, faz tudo errado, dizem os analistas, e aí o povo teima em apoiar Lula.

Logo em seguida, entra novo post no blog do Noblat, ainda mais inverossímel, improvável, espantoso mesmo, com novos dados do Sensus, agora sobre a próxima eleição presidencial.
Na pesquisa espontanea, em que o entrevistado fala o primeiro nome que lhe vem à cabeça quando lhe perguntam em quem pretende voltar em 2010, deu Lula de novo. Mais do que isso: ele foi de 20,4%, em dezembro, para 21,3% agora. Enquanto isso, o segundo colocado, José Serra, caiu de 10,4%, em dezembro, para 8,7%, em fevereiro.

Será que alguém vai dar esta manchete?: “Eleições 2010: Lula sobe e Serra cai”. Aí também seria querer demais… Todos sabemos que Lula não pode, não quer e não será candidato em 2010. Mas não deixa de ser engraçado.

Na reta final da campanha de 2006, ao ver a manchete do jornal na banca mostrando Lula subindo na pesquisa do segundo turmo, um vizinho meu, inconformado, comentou:
“Este Lula, só matando..” Diante desta nova pesquisa, talvez ele chegue a outra conclusão:
“Só matando este povo…”

domingo, 1 de fevereiro de 2009

UM BOM PROFESSOR

Se um cachorro fosse seu professor, você aprenderia coisas assim:

Quando alguém que você ama chega em casa, corra ao seu encontro
Nunca perca uma oportunidade de ir passear de carro.
Permita-se experimentar o ar fresco do vento no seu rosto.
Mostre aos outros que estão invadindo o seu território.
Tire uma sonequinha no meio do dia e espreguice antes de levantar.
Corra, pule e brinque todos os dias.
Tente se dar bem com o próximo e deixe as pessoas te tocarem.
Não morda quando um simples rosnado resolve a situação.
Em dias quentes, pare e role na grama, beba bastante líquidos e deite debaixo da sombra de uma árvore.
Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo.
Não importa quantas vezes o outro te magoa, não se sinta culpado... volte e faça as pazes novamente.
Aproveite o prazer de uma longa caminhada.
Se alimente com gosto e entusiasmo.
Coma só o suficiente. Seja leal.
Nunca pretenda ser o que você não é.
E o MAIS importante de tudo...
Quando alguém estiver nervoso ou triste, fique em silêncio, fique por perto e mostre que você está ali para confortar.
A amizade verdadeira não aceita imitações!!!

Um beijo a todos que visitam meu cantinho.
Agradeço a visita e espero que voltem sempre.

A MAIOR BRONCA

Tínhamos uma aula de Fisiologia na escola de medicina logo após a semana da Pátria. Como a maioria dos alunos havia viajado aproveitando o feriado prolongado, todos estavam ansiosos para contar as novidades aos colegas e a excitação era geral. Um velho professor entrou na sala e imediatamente percebeu que iria ter trabalho para conseguir silêncio. Com grande dose de paciência tentou começar a aula, mas você acha que minha turma correspondeu? Que nada!

Com um certo constrangimento, o professor tornou a pedir silêncio educadamente. Não adiantou, ignoramos a solicitação e continuamos firmes na conversa. Foi aí que o velho professor perdeu a paciência e deu a maior bronca que eu já presenciei. Veja o que disse: “Prestem atenção porque eu vou falar isso uma única vez”, disse, levantando a voz e um silêncio de culpa se instalou em toda a sala e o professor continuou.

Desde que comecei a lecionar, isso já faz muitos anos, descobri que nós professores, trabalhamos apenas 5% dos alunos de uma turma. Em todos esses anos observei que de cada cem alunos, apenas cinco são realmente aqueles que fazem alguma diferença no futuro, apenas cinco se tornam profissionais brilhantes e contribuem de forma significativa para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Os outros 95% servem apenas para fazer volume. São medíocres e passam pela vida sem deixar nada de útil.

O interessante é que esta porcentagem vale para todo o mundo. Se vocês prestarem atenção notarão que de cem professores, apenas cinco são aqueles que fazem a diferença, de cem garçons, apenas cinco são excelentes; de cem motoristas de táxi, apenas cinco são verdadeiros profissionais; e poderia generalizar ainda mais; de cem pessoas, apenas cinco são verdadeiramente especiais.

É uma pena muito grande não termos como separar estes 5% do resto, pois se isso fosse possível, eu deixaria apenas os alunos especiais nesta sala e colocaria os demais para fora, então teria o silêncio necessário para dar uma boa aula e dormiria tranqüilo sabendo ter investido nos melhores. Mas infelizmente não há como saber quais de vocês são estes alunos. Só o tempo é capaz de mostrar isso. Portanto, terei de me conformar e tentar dar uma aula para os alunos especiais, apesar da confusão que estará sendo feita pelo resto.

Claro que cada um de vocês sempre pode escolher a qual grupo pertencerá. Obrigado pela atenção e vamos a aula de hoje.” Nem preciso dizer o silêncio que ficou na sala e o nível de atenção que o professor conseguiu após aquele discurso. Aliás, a bronca tocou fundo em todos nós, pois minha turma teve um comportamento exemplar em todas as aulas de Fisiologia durante todo o semestre, afinal quem gostaria de espontaneamente ser classificado como fazendo parte do resto?

Hoje não me lembro de muita coisa das aulas de Fisiologia, mas a bronca do professor eu nunca mais esqueci. Para mim, aquele professor foi um dos 5% que izeram a diferença em minha vida. De fato, percebi que ele tinha razão e, desde então tenho feito tudo para ficar no grupo dos 5%, mas, como ele disse, não há como saber se estamos indo bem ou não, só o tempo dirá a que grupo pertencemos. Contudo, uma coisa é certa: se não tentarmos ser especiais em tudo que fazemos, se não tentarmos fazer tudo o melhor possível, seguramente sobraremos na turma do resto. (autor desconhecido)

sábado, 24 de janeiro de 2009

NÃO IMPORTA A RELIGIÃO QUE TEMOS

Relendo seu comentário, posso saber o que você sente quando diz amar ao espiritismo e à religião católica, pois venho de uma família totalmente católica apostólica romana. Assim como você também fui discriminada entre alguns amigos e entre pessoas da minha família. Amo meus pais e sei que eles me amam, mas também sei que eles se sentem profundamente infelizes por terem uma filha que acredita nesta religião, que para muitos, é “coisa do diabo”.

Comecei a frequentar um centro quando ainda tinha 14 (foi minha primeira vez) e foi lá que encontrei respostas a muitas perguntas que ninguém ousava responder, dizendo que a bíblia não era para ser questionada.

Sempre vi seres que não estavam entre nós e isso chegou ao ponto da minha mãe me levar a um psiquiatra na cidade de São Paulo, por achar que eu era maluca. A partir daí, preferi não comentar mais sobre estas experiências com os mortos.

Depois de já adulta, assumi que era espírita sem me preocupar muito com o que minha família ia dizer ou meus amigos e pensei que, se me amavam de verdade, me aceitariam como sou, sem imposições. Foi difícil e ainda é ouvir coisas sobre o espiritismo, quando quem fala, nunca ao menos se preocupou em saber do que se trata.

Frequentando um centro, fui colocada na mesa de trabalhos onde disseram que eu tinha mediunidade. Disso eu sabia, pois via e ouvia e conversava com os espíritos e isto nunca me incomodou. Meu marido também é espírita, o que ajuda muito e me deixa mais tranqüila. Um dia ele me disse que deveríamos fazer alguma coisa para divulgar o que acreditamos. Fizemos um blog, com a intenção era ajudar as pessoas dando-lhes conforto, amenizando-lhes as dores de uma perda e nada mais.

Eu nunca quis ser polêmica, só queria poder ser eu mesma. Mas também não queria ser vista como o leite azedo da sociedade, a erva daninha, como o próprio Papa já afirmou...

Estou escrevendo tudo isto, para que você entenda que posso dizer o que você sente, e como se sente, pois faz mal não poder expressar o que sentimos. E mais mal ainda, quando não somos bem vistos só porque acreditamos ou vemos as coisas de maneira diferente. Isto se chama preconceito e todo preconceito machuca.

Sinto também quando minha mãe me diz que meu pai reza todas as noites para que eu volte para a Igreja Católica, como se eu fosse direto para o inferno caso isto não aconteça. Sei que ele acredita no inferno e sei que ele não quer que eu vá para lá porque me ama, mas o que eu posso fazer? Ir para a igreja contra a minha vontade apenas para agradá-lo? Já tentei, mas não me sinto bem fazendo isto e ele sabe que não vou deixar de acreditar no espiritismo...

Uma única vez discutimos feio, eu e meu pai sobre religião e no final, não acrescentou nada, nem a mim, nem a ele.

Resolvi, então, não mais falar sobre religião e fazer de conta que esta diferença não existe. Ele deve pensar assim também, uma vez que não tocou mais no assunto.

Tenho uma única irmã, que teve um bebê neste ano e quer muito que batizemos seu filho. Eu gostaria muito, pois o amo muito também e já tinha sido avisada de sua vinda antes mesmo que ela engravidasse. Sinto que temos muito de outra vida. Você entenderia se visse como ele é apegado a mim. Quase todos da família dizem que ele parece gostar mais de mim do que dela. Mas não posso batizá-lo, a igreja proibiu. Minha mãe foi pedir para o padre e ele disse não. Que são normas da igreja...

Não vou deixar de amar meu sobrinho porque não posso batizá-lo, mas sinto sofrer este preconceito porque meu sobrinho não tem nada a ver com a minha religião e vai ter outra madrinha porque a igreja não quer que a madrinha dele tenha uma religião diferente e, não só diferente, mas como eles mesmo afirmam, uma religião do mal.

É isso... Agradeço muito por ter deixado seu comentário no meu Blog, retirei como você me pediu e, de coração, desejo a você toda a paz do mundo. Desejo que você seja feliz independente da religião que você tem.

Agradeço pelas palavras e por entender que não importa a religião que temos, mas que somos filho de um único Deus e que somos todos irmãos, querendo as pessoas ou não. Ah! Se ficar curioso e quiser dar uma olhada no nosso outro blog, fique à vontade. O nome é
http://www.partidaechegada.com/ .

Resposta a um comentário deixado na postagem Oração de renúncia ao espiritismo
(o comentário foi retirado a pedido do autor)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A GENTE PRECISA SE VER MAIS

Meu amigo realizou o sonho de uma nova e bela casa e estamos, alguns casais e amigos, ali, para jantar e conversar. Matar saudades.
Vivemos as peripécias dos anos 60, aquela coisa dos hippies, da utopia e da repres¬são. Estamos já de cabelos brancos, os que têm cabelos. De óculos. Falamos de filhos, de netos, de cachorros. São todos, de alguma maneira, bem-sucedidos em suas profissões. E, naturalmente, falamos mal do governo. Deste ou de qualquer outro.
Alguns foram viver no estrangeiro exilados, outros foram para estudar. Mas voltamos. E, no clima amigável da conversação solta, a memória vai se aquecendo, os fatos vão ressurgindo, e, de repente, abole-se o tempo, confunde-se o ontem e o hoje.

É tudo celebração.
Celebração da vida vivida como um filme entrecortado que tivesse tido vários diretores.
- Onde estava você quando mataram Kennedy?- Onde estava você quando Getúlio se matou?- Onde estava você em abril de 64?
- Where were you when they crucifica My Lord?

Quando saem todos, lá pelas duas da manhã, uma frase circula no ar: "A gente precisa se ver mais".
A gente se promete telefonar, marcar encontro, enfim, "se ver mais".
Frase banal.
No entanto, penso em como é diferente quando falada entre jovens. Aliás, jovem não fala assim. Diz: "Cara, pó! Você sumiu! Vamos no apê de fulana hoje, vai rolar um agito legal lá."
Ou seja, os jovens marcam encontros para dominar o espaço. Incorporados às tribos noturnas, ficam zanzando de um bar para outro, de uma praia para outra, de um esporte para outro, conferindo espacialmente o que está ocorrendo em outros lugares. Os jovens estão desbravando corpos, e para eles o mundo é uma coisa muito ampla e distante, algo que começa depois do círculo de giz narcísico que os contém.
Entre pessoas maduras, é diferente. Desbrava-se o conhecido. O conhecimento é re-conhecimento. Não é o espaço, o tempo é que importa.

Estar juntos é como estar ao redor de uma fogueira recontando a própria vida. Isto se parece também com guerreiros meio exaustos, com meia glória apenas, contando fragmentos de uma batalha ganha e perdida. E já que os presentes viveram experiências semelhantes, um é a memória do outro, o espelho do outro.
É um exercício de reunir fragmentos de vida, reachar em nós a imagem de ontem e reter um pouco o presente que se esvai. Tem, de certo modo, o sentido de carpe diem. Um carpe diem meio retroativo, olhando o retrovisor. Estamos curtindo o presente densamente, como quem toma um velho e bom vinho.
Mas há algo mais além da constatação de que os jovens vivem mais no espaço e os mais velhos vivem mais no tempo. Para os mais idosos nessas reuniões, a própria linguagem tem outra função. Lingüisticamente, os jovens têm mais uma fala denotativa e fática, cheia de exclamações, interjeições, poucas palavras. Não é uma linguagem dissertativa prenhe de memórias, reverberando muitas conotações como proustianamente é o caso dos adultos.

O jovem conversa sobre o presente e faz rápidas alusões ao futuro. O adulto conversa retroativamente. O passado cresce continuamente, ilumina o presente e delega aos outros o futuro.
"A gente precisa se ver mais" significa também que nosso tempo está se esgotando, e reencontrar-se é, por um instante, conseguir suspender o tempo, povoar, alargar mais a própria vida. Parece que cada um tem uma mochila, uma bagagem qualquer, e que vai abrindo esse farnel de lembranças a ser servido na mesa comum.
Essa coisa de estar juntos, vou dizer, nem precisa ser algo muito palrador, muito risonho, festivo. Existe um tipo de companheirismo silencioso, tipo cinema mudo, ou, mais pateticamente, tipo diálogo mudo de sombras. Se alguém quiser ficar calado ali, pode.
Uma vez li que Samuel Beckett e não sei mais quem costumavam se sentar num café em Paris e ficar ali silenciosos madrugada adentro olhando, para onde? Para fora e para dentro, num silêncio estranhíssimo. Quer dizer, calados, se faziam companhia. Um animado papo silencioso.
Lembram-se daquela canção do Paulinho da Viola em que duas pessoas se cruzam rapidamente pela rua e vão prometendo se ver, se telefonar, enfim, reunir o que a vida dispersa e fragmenta?Pois é, a gente precisa se ver mais...

(Affonso Romano de Sant’Anna - crônicas)
Quantas vezes dissemos ou prometemos isso a nós mesmos e aos amigos, quantas vezes deixamos pra depois achando que a vida é eterna e que ninguém vai morrer, como se bastasse o querer pra gente se reencontrar... Assim também é com o amor. Deixamos sempre pra depois, um dia diremos o quanto amamos alguém, o quanto esse alguém é importante em nossas vidas e... quando menos a gente espera, recebemos a notícia de que esse mesmo alguém já se foi. Aí lamentamos o que poderíamos ter dito e não dissemos, o que poderia ser demonstrado, mas, por causa da pressa, da correria do dia a dia, fomos deixando pra depois e agora já se faz tarde.
Seria bom se tirássemos um tempinho pra dizer o quanto amamos as pessoas, para reencontrá-las, para colocar o assunto em dia ou mesmo só para "conversar" em silêncio, se fazendo necessária apenas a companhia.
Um beijo a todos e que, aquele que estiver lendo esta crônica, esteja em dia com os amigos e pessoas que amam, pois eu não estou.

domingo, 18 de janeiro de 2009

EU GOSTO DO LULA!

Hoje vou falar sobre o nosso presidente. Isso mesmo, Luiz Inácio Lula da Silva. Ou, só Lula mesmo.
Estou de saco cheio de receber e-mail´s “moendo” com ele. Todo mundo fala mal. Tem uns que falam e que parecem nem gostar de falar mal dele... Mas falam... Porque todo mundo fala.
Há os que o detestam mesmo (e devem ter seus motivos), mas há os que se sentem na obrigação de detestar porque o cara foi pobre, nordestino, metalúrgico...
E ainda dizem que no Brasil não há preconceito...
O cara tem 9 dedos? E daí??! Muitos outros não fizeram nada com 10. Além do que, não passa de um extremo mal gosto fazer menção a qualquer deficiência que uma pessoa possa ter.
Existe uma hipocrisia velada isto sim.
Os que adoram o tal FHC, baseiam-se nos seus diplomas, na sua cara de homem culto, que com toda a cultura do mundo, não fez nada pelo país. Vontade não lhe faltou de aparecer e estar entre os melhores, assim como Lula está e sem implorar para aparecer lá fora.
Me vem à mente uma frase que li e que acho que cabe aqui: “ Amadores construíram a Arca de Noé, e profissionais, o Titanic”.
Isto me lembra meus 14 anos, quando era Chique gostar de Gal Costa, Chico Buarque e Caetano Veloso.
Alguém se lembra daqueles caderninhos que corriam de mão em mão na escola, em que, em cada página tinha uma pergunta e as pessoas adoravam responder?!
Nesta de cantor preferido sempre tinha lá o nome dos três acima citados.
Era uma época em que a música internacional era tudo de bom... Bee Gees, Vilage People, David Bowie, Gloria Gaynor, Abba, Elton John...
E quando a pergunta era sobre seu prato preferido então? Ninguem dizia gostar de bife com batata frita, nem de ovo mole com pão, nem nada do tipo... eram comidas que a pessoa nem mesmo tinha visto. Talvez tivesse lido em alguma revista.
Sinto pena de pessoas assim, sinceramente.
Não das que realmente gostam destas coisas, mas das que dizem gostar para parecerem melhores, para serem mais respeitadas.
Triste! Lamentável!
E assim caminha a humanidade...
Me parece que quanto ao Lula também é assim.
Não é muito estranho a aceitação dele estar em 80% e todos, absolutamente todos os teus contatos do orkut, msn, e os que trabalham com vc afirmarem detestar o cara?
Raro quem não tem mais de um carro na garagem (um era difícil)...
Raro quem não tem condições de colocar um fillho numa escola particular (antigamente nem existia).
Tá! Eu sou assim. Assumo que gosto de coisas simples do tipo arroz com ovo e tomate. Sei que posso ser considerada brega por gostar de Vitor e Léo, mas EU SOU VERDADEIRA. Sou o que sou. Não falo que gosto quando não gosto.
Eu sou mesmo fâ número um do nosso presidente. Acho que ele é o cara. Acho que ele é muito parecido comigo e com meu jeito de ser e por isso estou aqui pra deixar bem claro que: “Não gosto de receber e—mail´s falando dele. Não repasso nenhum deles e deleto assim que os recebo.
E tenho dito!
Um beijo a todos os que me visitam. Aos que gostam do Lula e aos que o detestam (de verdade).
Uma ótima semana a todos e que ele consiga realmentem manter a crise longe daqui.

sábado, 17 de janeiro de 2009

O MELHOR AMOR

Uma vêz ouvi alguém dizer: "O melhor amor é aquele que provoca em nós os nossos melhores sentimentos". Isto já tem mais de trinta anos, mas a frase ficou grudadinha na memória.
Retomo-a agora. É uma frase intrigante. Primeiro porque instila a ideia de que existe um "melhor amor". Se assim é, então deve existir também um "pior amor". Isto desestabiliza a ideia de que o amor é sempre uma coisa una e indivisível, que é em si sempre algo sublime, fora de nós, e que certos amantes é que não sabem como lidar com ele.
Ocorreu-me de novo aquela frase, porque alguém (há sempre alguém nos dando frases de presente), numa conversa banal, disse que fulano era especialista em murchar mulheres. Havia casado umas três vezes, e o que eram namoradas viçosas e apetecíveis transformaram-se em cinzas e apagadas matronas olhando a vida como um trem que se afastasse deixando-as murchas na estação.
Tem gente, portanto, que tem DNA de sanguessuga. Crava o dente na alma do outro e a esvazia. No entanto, a convivência amorosa deveria trazer vida, alegria, comu-nicabilidade, enfim, despertar em cada um o que cada um de melhor tem.
Em Belo Horizonte houve uma miss Brasil esfuzian-tcmente linda, que casou com um empresário e obnu-bilou. É essa a palavra que me ocorre, e - como dizia o mestre Aurélio - a gente tem que dar oportunidade às palavras. A moça enevoou-se, apagou-se, sumiu do mapa, sequestrada na tristeza. Obnubilou-se.
Alguém vai dizer: "Isto também ocorre do lado feminino". E eu não sei? Já não vimos aquele filme com a Marlene Dietrich, O anjo azul em que a "mulher fatal", como uma aranha no cio, uma gafanhota perversa, vai destruindo o indefeso e apaixonado velho professor?
Picasso foi um grande, imenso exemplo de destruidor de mulheres. Algumas se matavam, outras iam enlouquecendo. Isto pode ser revisto naquele filme tirado do livro que uma de suas ex-mulheres escreveu. Aliás, se acharem suspeitos os depoimentos expressos pela vida de suas sete esposas oficiais, basta considerar a frase que Paul Éluard - poeta francês contemporâneo do pintor - certa vez disse depois de fazer um exame da caligrafia daquele minotauro amoroso: "Picasso ama intensamente, mas ele destrói o que ama".
Portanto, se há um "melhor amor" e um "pior amor", há amor que mata e amor que vivifica. Por isto, alguém pode indagar: "Por que há gente que fica presa ao 'pior amor'? Por que sofre insónias? Por que fica grudada no telefone que não toca? Por que continua dando presentes e recebendo rejeição de volta? Por que tolera certas humilhações públicas e íntimas?"
É que nem sempre se pode sair de um pântano, de uma areia movediça, sem agarrar-se a um galho, corda ou outro tipo de socorro. E as neuroses são como o cigarro. O fumante, mesmo sabendo que aquele vício mata, nem sempre consegue dele se libertar. E assim como quem já deixou a bebida sabe que não se deve tomar um trago nem por brincadeira, quem já sofreu burramente por causa de um amor ruim deve precaver-se.
O melhor amor é aquele que desperta em nós os nos os melhores sentimentos. Aí, então, nossa pele remoça, os olhos brilham e somos capazes de atravessar os anos numa fecundante aura.
(Affonso Romano de Sant’Anna - crônicas)

domingo, 11 de janeiro de 2009

SELO


Ganhei da Mallika (blog
http://poemasencantos.blogspot.com/ ), esse selo chamado Blog Original. Achei o máximo e agradeço muito por ter sido lembrada. Amei o que ela falou do meu Blog.
Através desse selo podemos nos ajudar mutuamente. Divulgar nossas páginas, fazer novos amigos e estimular os blogueiros a continuar a divulgaçao desta arte.


Para os indicados, seguem abaixo as regras que devem seguir:
1 - Publicar o selo em seu blog e dizer de que blog recebeu, colocando o link do mesmo;
2 - Publicar a história e o motivo do selo;
3 - Repassar o prêmio selo a três blogs, sendo que o selo não pode ser enviado ao mesmo blog por mais de uma vez (assim mais blogs poderão ser homenageados);
4 - Publicar no blog o endereço dos homenageados e avisá-los que receberam o selo.
Meus blogs indicados são:
AMOR DE ALMAS-
http://www.amordealmas.com (pelo conteúdo romântico e pela abordagem real e sincera do amor).
PARTIDA E CHEGADA - http://www.partidaechegada.com/ (pelas psicografias que são um bálsamo na dor do que perderam pessoas queridas, pelas mensagens de conforto e pelas lições encontradas na palavras de médiuns como Chico Xavier).
Luiza Mell - http://luisa.mell.blog.uol.com.br/ (pelo fantástico trabalho e amor pelos animais. Parabéns pela corrente do bem. Uma lição).
Pronto! Prazer cumprido. Espero que os indicados aceitem ;)

sábado, 3 de janeiro de 2009

DESEJO A VOCÊ

Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas
De alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel...
E muito carinho meu.
(Carlos Drummond de Andrade)
Isto é o que eu desejo a todos os meus amigos e àqueles que me visitam.
Aliás, desejo a todas as pessoas do planeta, afinal, seria muito bom se todos fossem mais felizes.
Que 2009 seja um ano diferente. Que aconteçam coisas diferentes e interessantes na vida de todos nós.
Deixo aqui um beijo carinhoso e o desejo de muitas coisas boas a todos.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

TUDO PASSA... E MELHORA

Tudo passa. Os dias de dificuldades, amargura e solidão, as lágrimas, as frustações... Em algum momento, tudo isso passa. O melhor a fazer é deixar que esses sentimentos vão embora. Sem essa de ficar remoendo os erros e as dores! Não podemos dar brecha ao sofrimento. Sigamos adiante para que coisas novas e boas aconteçam.
Dormir e acordar lamentando o emprego perdido, o relacionamento que terminou, a amizade que não foi tão leal... Assim, a gente só aumenta a tristeza e a dor. Enchamo-nos de esperança e determinação. Muuitas vezes, aquilo que num momento julgamos ser algo ruim é apenas um cuutucão que a vida nos dá. Ela faz isto para que a gente acorde e perceba que precisamos nos mexer, mudar, para receber algo maior e melhor.
Se hoje o céu está nublado e cinza, amanhã as nuvens também terão passado - e o sol voltará a brilhar, lindo e radiante. Então, para que tanto desânimo e tanto medo?
Quando a gente levanta a cabeça, a solução aparecem. E o amor ressurge; uma nova oportunidade aparece, a amizade se fortalece... Reconstruamos nossas vidas a cada dia, porque não há dor que persista diante da vontade de vencer.
Desejo a todos um MARAVILHOSO 2009. Cheio de coisas boas, de amores novos, de amigos sinceros, dim dim, saúde e muita, mas muita paz mesmo.
Beijinhos borbulhantes.
 
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