quinta-feira, 2 de agosto de 2007

SEXTA FEIRA

Uma tarde típica de inverno, céu azul sombra fria,

Sexta feira sem intenção nenhuma

O final de semana estava aí

Enquanto caminhava para casa, ia matutando o quanto é importuna, essa obrigação de prazer como se fosse ordem

Está decretado!

Todos para a esbórnia, badalações

Você tem que se divertir

Muito, no mínimo eu só queria dormir

Tive uma semana sacal, uma balada errada na terça, e nenhum dinheiro no banco

E foi no meio desses milhões de pensamentos que você surgiu

A mesma aparência, aquela fisionomia sempre tão familiar

Aquele seu quase sorriso, seu jeito de quase felize nisso um cheiro invadiu meu caminho

Era o mesmo aroma,
E foi me tomando brutalmente

Incontrolável ingovernável irrefreável

Aquele odor cinza, poluído, doente

O bálsamo do seu sexo o mesmo instante fui assaltada por aflição, agonia, amargura, e angústia

Lembrei-me que esse perfume que um dia me trouxe vida

Também quase me matou

As recordações, mais que reais eram tangíveis, tocáveis
Saí correndo

Corri para casa [com aquelas sacolas horrorosas do pão-de-açucar]

Corri como se fosse pra fugir das lembranças

Como se pudesse inodorizar o mundo

[merda, eu sabia que essa semana ia ser péssima]

Tranquei-me no quarto e chorei

Chorei por horas

Chorei, pelo amor perdido,

Pelos sonhos desfeitos,

Pelo tempo que passou,

Pelos homens que não conheci

Pelos porres que não tomei, pelos que tomei

Por saber que durante toda minha vida, só fiz o errado, até quando queria fazer o certo.

Chorei porque a dor que já fazia parte de mim

Parecia crescer sem parar

Chorei chorei chorei[e sim, fiquei com dó de mim]
Tenho chorado tanto ultimamente
Mas a música acabou, garota

Ninguém mais canta minha dor

E é hora da novela.

E quem sabe parar de drama e me decorar,

Afinal é sexta feira...

e você tem que vadiar.

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